who-is-Satoshi-Nakamoto

Há exatos 6 anos, no dia 31 de Outubro de 2008, um paper completamente anônimo foi publicado em um site e não demorou muito para que ele fizesse um sucesso absoluto. O paper em questão resolvia um problema antigo da área de ciência da computação, o chamado problema dos generais bizantinos.

Marc Andreessen, pai do navegador “Mosaic” e fundador da Netscape, explicou esse problema muito bem:

Citando o artigo original que definiu o problema: “Imagine que um grupo de generais do exército bizantino acampou com suas tropas em torno de uma cidade inimiga. Comunicando-se apenas por mensageiros, os generais devem acordar um plano comum de batalha. No entanto, um ou mais generais podem ser traidores que vão tentar confundir os outros. O problema é encontrar um algoritmo que assegure que os generais leais vão chegar a um acordo.” Generalizando, o Problema dos Generais Bizantinos coloca a questão de como estabelecer a confiança entre partes independentes usando uma rede de comunicação não confiável como a internet.

A tecnologia

A tecnologia descrita no paper anônimo foi a primeira solução prática para o problema dos generais bizantinos utilizando redes P2P (redes P2P são redes sem um servidor central, ou seja, onde todos os computadores que compõem a rede são servidores e clientes ao mesmo tempo, como por exemplo o que o protocolo Torrent faz).

Além de solucionar esse problema, a tecnologia proposta permitia que um usuário enviasse um “dado único” para outro usuário com total confiança sem depender de uma entidade centralizada. Vamos imaginar uma situação hipotética para exemplificar o que acabei de falar:

Você tem um arquivo no seu computador e você convencionou com alguns amigos que esse arquivo vale R$1. Você decide enviar esse arquivo para um desses amigos, mas existe um problema: você enviar esse arquivo para o seu amigo não evita que você mantenha uma cópia do arquivo para você ou mesmo que enviei esse arquivo para diversos outros amigos. O problema nisso é que você quebra a convenção que vocês estabeleceram, pois agora existem vários arquivos de R$1 quando na verdade só deveria existir um. Temos dois problemas principais aí:

  1. Como garantir a deleção do arquivo do seu computador quando o envio para o seu amigo for finalizado? Isso é necessário para manter apenas um arquivo existente.
  2. Como garantir que você não possa enviar o arquivo para um amigo e no segundo seguinte enviar para outro amigo? Isso é necessário para que você não engane o seu outro amigo enviando um arquivo que na verdade você não tem mais.

Esse é um problema gigantesco na computação. Como tornar um arquivo digital que é facilmente reproduzível em algo com propriedades de um objeto físico: a impossibilidade de cópia com dois cliques do mouse?

A solução

Você não deveria estranhar que o paper anônimo publicado em 31 de Outubro de 2008 resolveu todos esses problemas. A tecnologia descrita nesse paper resolveu o problema de confiança em redes P2P de uma forma muito elegante. Apenas para concluir o nosso exemplo hipotético, agora:

  • O receptor tem certeza de que o “dado é único e válido”.
  • O emissor tem certeza de que o “dado foi enviado com sucesso” e que não há outras cópias desse dado.

Mas afinal, qual o nome dessa tecnologia?

Okay, vou parar de esconder o jogo. O paper de que tanto falo é o que anunciou o Bitcoin ao mundo. Você provavelmente já ouviu falar muito desse protocolo, mas provavelmente não sabe porquê ele pode mudar o mundo (veremos em breve). Em suma, a tecnologia é um tanto quanto técnica, mas suas possibilidades são exuberantes e praticamente infinitas.

Como assim, “paper anônimo”?

O paper anônimo foi divulgado em 31 de Outubro de 2008 pelo pseudônimo “Satoshi Nakamoto” em um site na Internet. Durante algum tempo Nakamoto permaneceu ativo nos fóruns do Bitcoin e no desenvolvimento do protocolo Bitcoin, mas em meados de 2010 desapereceu. Ninguém sabe quem ou o que éSatoshi Nakamoto, ninguém sabe sobre sua vida, sobre seu paradeiro e muito menos seu nome original.

Futuro

Você lembra de como descrevemos o nosso exemplo anteriormente? Falamos bastante de confiança em redes P2P, ou seja, em redes descentralizadas. No caso do Bitcoin, duas pessoas podem transacionar dinheiro sem se conhecerem pessoalmente, sem depender de uma entidade financeira que apenas abre em horário comercial, sem pagar taxas bancárias, sem dar satisfações para alguém a respeito das suas finanças, sem filas, sem cadastros, sem dados pessoais expostos e sem importar sua localização no globo (ou no Universo). O bitcoin (como moeda) poderia deixar de existir hoje, mas a tecnologia introduzida pelo Protocolo Bitcoin ainda continuaria a revolucionar o mundo.

O Bitcoin é para as finanças o que o e-mail foi para as correspondências, só que ainda melhor, pois não precisa de uma empresa por trás para atuar como servidor de e-mail.

O Bitcoin é a maior invenção do homem desde a Internet.

Com a solução de todos os problemas citados através do protocolo Bitcoin temos o caminho livre para criar coisas lindas, entra elas algumas poucas seriam:

  • Democracias mais sólidas com sistemas de votação online e P2P, sem depender de um Governo ou entidade reguladora para validar e apurar as votações, garantindo que o seu voto é realmente seu.
  • Sistemas de cartórios mais eficientes sem depender dos cartórios estatizados ou regulados pelo Governo. Você poderia criar contratos com outras pessoas e validá-los sem pagar um tustão sequer, sem nem precisar se mover para isso.
  • Sistemas de micro-transações, onde você paga um pequeno valor para obter acesso à algum conteúdo ou material. Crescimento de artistas, escritores, tradutores e músicos independentes na Internet.
  • Et cetera, muitos et cetera.

As possibilidades são realmente gigantes. Por resolver tantos problemas, Satoshi Nakamoto foi um gênio – um gênio que não precisou mostrar seu rosto para fazer enormes contribuições para a Ciência e para a nossa sociedade. Talvez a única pergunta que nos reste é: quem é Satoshi Nakamoto?

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Parabéns pelos seus 6 anos, Bitcoin! Parabéns por sua criação, Satoshi Nakamoto!

Texto por Fernando Paladini

Fonte: www.cienciatododia.com